O livro O homem domado, da escritora argentina, Esther Vilar já é
quarentão, mas não deixa de ser super atual. Ela começa relatando uma
cena do cotidiano. Um carro esporte para no acostamento de uma
auto-estrada movimentada nos Estados Unidos com o pneu furado, em manhã
de chuva. A motorista sai e assume a clássica postura desvalida de quem
não se dá costumeiramente bem em tais situações. Não demora muito e um
cavalheiro pára atrás e prontifica-se a resolver o problema. Suja o
terno e as mãos. Ela oferece-lhe simpaticamente um lenço branco. Ele
aceita, meio constrangido. Ela despede-se e ele volta para casa tendo de
se reorganizar para o dia de trabalho. A escritora, nascida nos anos 30, que se casou com um médico alemão,
descasou-se dele, voltou a casar com o mesmo. Depois de ter andado pelas
Américas, África e Europa, passando por vendedora, operária,
balconista, tradutora, e secretária, virou médica e finalmente,
escritora. Torna-se famosa em todo o mundo, como a mulher que rasgou os
“papéis” sociais de homens e mulheres do seu tempo, depois se viu, de
todos os tempos.
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