O motivo que
rege e organiza a teoria hegeliana do silogismo é a fundamentação
dialético-especulativa da silogística tradicional, onde os termos
“dialético” e “especulativo” significam aspectos distintos e, ao mesmo
tempo, conectados do empreendimento científico em questão: “dialético”
diz respeito ao método de derivação das figuras mais concretas do
silogismo a partir das insuficiências internas das figuras mais
abstratas; “especulativo” é o termo que expressa a própria finalidade
desse movimento progressivo, a saber, a prova da espantosa tese de que
“todas as coisas são o silogismo” . Seja qual for a avaliação que se
queira dar da referida ambição, ela só pode se basear na prévia
compreensão de uma das partes mais secas e ásperas da Ciência da Lógica,
onde a aparente artificialidade dos esquemas e a dificuldade da
exposição poderiam estimular um juízo apressado sobre o fracasso da
tentativa hegeliana de apropriar-se produtivamente da silogística
aristotélica, estoica e escolástica. O intento do presente livro é
precisamente o de contribuir para a compreensão das motivações teóricas
que impulsionaram o esforço hegeliano de justificar a tese de que “todas
as coisas são o silogismo”. Para este fim, o livro que você está
prestes a ler apresenta uma estrutura bipartida: na primeira parte,
oferece-se ao público a primeira tradução para o português de todo o
capítulo da Lógica Subjetiva sobre o silogismo; a segunda parte é
constituída por um comentário integral, que acompanha e explica,
parágrafo por parágrafo, o texto hegeliano, procurando tornar explícitos
os ‘argumentos’ e as referências histórico-filosóficas que formam o
subtexto do tratamento puramente teórico ou racional do silogismo.
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