Este livro vai argumentar em favor da prioridade da interpretação política dos textos literários. Ele concebe a perspectiva política não como método suplementar, não como auxiliar opcional de outros métodos interpretativos hoje em uso - o psicanalítico, o mítico-crítico, o estilístico, o ético, o estrutural -, mas como horizonte absoluto de toda leitura e de toda interpretação. Evidentemente, essa é uma postura muito mais extremada que a modesta alegação, sem dúvida aceita por todos, de que certos textos possuem uma ressonância social e histórica - e por vezes até mesmo política. É claro que a história literária tradicional nunca proibiu a investigação de tópicos como o ambiente político florentino em Dante, a relação de Milton com os cismáticos, ou as alusões à história irlandesa em Joyce. Entretanto, eu acho que essas informações - mesmo onde não são limitadas, como acontece na maioria dos casos, por uma concepção idealista da história das idéias - não possibilitam a interpretação enquanto tal, mas, quando muito, suas (indispensáveis) precondições.
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