Herberto Sales estreou em 1944, com Cascalho, um romance imenso e
violento, ambientado na decadente região das lavras diamantíferas
baianas. Com o sucesso do livro decidiu o autor a deixar o emprego na
pequena cidade de Andaraí e tentar a vida no Rio de Janeiro. Curiosa a
história do romance, enviado a um concurso no Rio de Janeiro, sem ser
premiado. Desalentado, Herberto rasgou os originais em sua posse,
julgando ter destruído a obra. Um dos jurados do concurso, porém,
Aurélio Buarque de Holanda, havia guardado uma das cópias, interessado
no abundante número de regionalismos, que serviu de base à edição do
romance. Depois de um longo hiato, no qual publicou dois livros de
ensaio, Herberto voltou à ficção, sua vocação autêntica, com o romance
Além dos Marimbus (1961). A partir daí, não parou mais. O conto foi
aventura da maturidade, quando o escritor (nascido em 1917) se achava em
plena posse de seus recursos de expressão. As Histórias Ordinárias,
lançadas em 1966, revelavam um excelente contador de histórias, desses
que não fazem cerimônia para prender o leitor, envolvê-lo na atmosfera
de seus contos, torná-lo cúmplice e/ ou testemunha da ação. Os temas
variavam: um delicado mergulho na psicologia feminina, com alguma coisa
de machadiano (“Os Vigilantes”), uma espécie de sátira às ambições do
homem moderno, (“O Automóvel”), a análise de um momento de crise (“A
Carta”). Em 1970, Herberto Sales publicou dois volumes de contos, O
Lobisomem, saborosas histórias fisgadas no folclore brasileiro, e Uma
Telha de Menos, título significativo, síntese do espírito geral da obra,
na qual todos os personagens são mais ou menos maníacos, presos a uma
ideia fixa. Seu último volume de contos, Armado Cavaleiro o Audaz
Motoqueiro (1980), apresenta a estranha fauna da sociedade moderna,
quase sempre também com uma telha a menos.
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