Embora seu conteúdo seja do interesse de áreas vizinhas, como
Antropologia, Filosofia, Sociologia e Biologia, o livro está situado no
âmbito da Análise Comportamental da Cultura. Essa área representa um
campo temático relevante no contexto de uma das mediações
teórico-epistemológicas da Psicologia e é constituída por uma ciência, a
Análise do Comportamento, e uma filosofia de ciência, o Behaviorismo
Radical. O texto, mais precisamente, está centrado nas práticas
culturais, que se referem às ações humanas executadas de maneira
entrelaçada com ações de outros indivíduos, característica inerente aos
comportamentos sociais. Tecnicamente, o conteúdo examinado é o anunciado
no subtítulo do livro, ou seja: relações funcionais, comportamento e
cultura. No entanto, para além dessa instância, o texto trata da lógica
subjacente às relações ou interações entre as pessoas, e entre estas e
as agências de controle (como governo, lei e religião), ocupando-se de
examinar tais relações de maneira funcional. Pode-se dizer que o texto,
paralelamente ao interesse por precisão técnica na ciência do
comportamento, busca estimular o leitor para uma avaliação sobre quanto
temos, tradicionalmente, construído pressupostos, princípios, sistemas
explicativos, escolas de pensamento e teorias voltados à defesa de
explicações do comportamento humano com base em estruturas, quer
físicas, quer conceituais, que não passam de constructos hipotéticos que
se supõe sejam diretamente causadores de ações, atividades,
comportamentos. Conceber uma “estrutura cognitiva”, uma “mente
pensante”, uma “estrutura de personalidade”, um ego, um eu, um id, um
superego, um traço de caráter, uma estrutura fisiológica, enfim, um
mecanismo subjacente responsável pela causalidade primeira do
comportamento parece constituir um equívoco perene na história da
Psicologia e, talvez mais, na história da ciência. Embora sem,
naturalmente, negar um monismo fisicalista, ontológico, de substância, o
livro rejeita o status prioritário de importância tradicionalmente
atribuído às estruturas, em si mesmas, como entes explicativos do
comportamento humano.

Nenhum comentário:
Postar um comentário