Para escrever sobre essas histórias,
sempre tomando as mulheres como protagonistas centrais, vinte autores
foram convidados. Os assuntos tratados, como já disse, são os mais
diversos, vários deles ainda pouco estudados e outros menos falados
ainda, sobretudo entre o grande público. Assim, rapidamente, se pode
arrolar alguns dos temas examinados nessas riquíssimas páginas. O
cotidiano feminino entre os índios do Brasil, principalmente entre os
tupinambás (Ronald Raminelli); a sexualidade e os jogos de sedução
femininos entre os século XVI e XIX (Emanuel Araújo); o corpo da
mulher visto pela magia e pela medicina na Colônia (Mary Del Priore);
a homossexualidade e o erotismo femininos e a repressão
inquisitorial (Ronaldo Vainfas); a vida das mulheres nas Minas Gerais
do século XVIII, principalmente a vida das escravas, das libertas e
de suas descendentes livres (Luciano Figueiredo); as mães, os filhos
enjeitados e expostos durante os séculos XVIII e XIX (Renato Pinto
Venâncio); as mulheres e a família burguesa nas áreas urbanas do
século XIX (Maria Ângela D'Incao); o universo feminino no sertão
oitocentista do Piauí e do Ceará (Miridan Knox Falci); a construção
dos papéis femininos no Sul, no século XIX e no início do XX (Joana
Maria Pedro); a sexualidade feminina e o tratamento da loucura nos
primeiros anos da República (Magali Engel); a violência sobre as
mulheres pobres no contexto de modernização urbana republicana
(Rachel Soihet); as leituras e os escritos de mulheres oitocentistas
(Norma Telles); a educação para meninas e a invenção das professoras
nos séculos XIX e XX (Guacira Lopes Louro); a vida e a atuação das
freiras entre os séculos XVII e XX (Maria José Rosado Nunes); a
maternidade, a família e a pobreza no Brasil urbano das primeiras
décadas do século XX (Cláudia Fonseca); as trabalhadoras na
agricultura em São Paulo nos últimos cem anos (Maria Aparecida
Silva); as operárias, a emancipação e a sexualidade femininas no
início da industrialização brasileira (Margareth Rago); os modelos de
mulher, de esposa, de mãe e de dona de casa durante os anos 50 e 60
do século XX, através das revistas femininas (Carla Bassanezi); as
mulheres, os movimentos sociais e a cidadania no Brasil contemporâneo
(Paola Cappellin Giulani) e, finalmente, o depoimento feminino e
político de Lygia Fagundes Telles.

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