Comecei com a capoeira por volta de 1965 e rapidamente fiquei viciado. A capoeira mudou meu corpo e fez minha cabeça. Ela me deu oportunidades que dificilmente eu teria em outra atividade. Dei aula pra dondocas de sociedade e ensinei em terreno baldio de favela; trabalhei em shows e apresentações culturais; toquei berimbau em teatro e também na rua para descolar a grana do dia; fiz programa de rádio e televisão; desfilei em Escola de Samba; fui artista de cinema, escrevi livro, viajei quatro vezes pro estrangeiro,' passando mais de cinco anos lá fora, convivendo com gente de outros países, com outras maneiras de pensar... tudo às custas da capoeira. Meu caso não é único, nem excepcional. Ao contrário; quem conhece o mundo da copoeiragem sabe que a "brincadeira de angola" abre um imenso campo de ação para seus praticantes. Ela faz o corpo e a cabeça do jogador, além de fornecer as ferramentas para ele se virar e ganhar sua vida, não importa onde.
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