Os textos de Nina pretendem falar sobre comida, mas falam de vida. De
uma vida simples, rica em experiências e repetições que levam à
sabedoria - do jeito que ela prefere a culinária: sem esnobaria e
afetação. Bolo de noiva, sardinhas, torresmo e coca-cola são motivos
suficientes para evocar a lembrança da revista semanal ilustrada O Cruzeiro, do cheiro do tomate pisado, dos guardanapos de François Vatel, das “varandas mineiras de poucas palavras e muita tosse”. Família, amigos, cozinheiros, livros, filmes, lugares, nomes de pratos,
modismos gastronômicos, dietas e cuidados alimentares contemporâneos -
tudo serve para mobilizar a escrita afetuosa em tom de troca de
receitas, a glosa sagaz de quem conhece muita coisa e as escolhas de
quem chegou à plena liberdade. Como essa, por exemplo: “Deixem em paz o
porco, esse poema”.
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