Em 1982, com a publicação de seu
primeiro livro em prosa, A invenção da solidão, um jovem Paul Auster
chamou a atenção do público e da crítica ao escrever sobre a
paternidade. Trinta anos depois, já amplamente consagrado, ele escreve
seu segundo livro de memórias, no momento em que adentra a velhice. Se em sua estreia o escritor se debruçou sobre a figura do pai, que
havia acabado de morrer, em Diário de inverno Auster dá destaque à mãe,
que se divorciou do marido e se tornou uma pária dentro da própria
família. Em meio a lembranças dos jogos de beisebol, do primeiro
relacionamento sério, fadado a dar errado, e do dia em que conheceu sua
segunda mulher, Auster relembra a luta da mãe para criar os filhos
sozinha, sua dedicação ao trabalho, o segundo e o terceiro casamentos, a
dependência financeira na velhice e sua morte. Neste livro nada convencional de memórias, os fãs de Auster
reconhecerão muitas das virtudes de seus livros anteriores, como a
sensibilidade, o estilo claro e lúcido, o fascínio pela arte e pelo
esporte. Ao falar das mudanças de casa, das brigas, do amor pela família
e pelos amigos, e principalmente do envelhecimento, este relato de uma
experiência pessoal se transforma no retrato de uma experiência
universal com a qual todos poderão se identificar.

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