Com a crescente adesão de países, a ratificação do
Acordo de Paris está prestes a virar realidade. E, para cumprir as metas
de redução de emissões de carbono, uma verdadeira revolução energética
será necessária, com redução drástica no consumo de combustíveis
fósseis. Embora o avanço das fontes renováveis seja notável no Brasil e no
mundo, indicando que já estamos vivemos uma transição energética, o jogo
conta com pesadas forças que atuam pela manutenção do business as usual. Como revelam a reportagem de capa e a coluna Olha Isso
desta edição, o aumento das fontes mais limpas ainda se dá em escala
muito baixa, a energia produzida no mundo tem parcela altíssima entre as
fontes fósseis (87%), e até mesmo a energia nuclear vem sendo
substituída por fontes sujas em lugar das renováveis. O Brasil pode se tornar um grande protagonista dessa transição. Mas
parece acomodar-se na ideia de que sua matriz energética já é “limpa”,
enquanto a realidade é distinta: o transporte de carga é
majoritariamente movido a diesel, as termelétricas a óleo são acionadas
sempre que há falta de chuvas, e têm sido crescentes os questionamentos
sobre os impactos socioambientais e a vantagem econômica das usinas
hidrelétricas.
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