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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Álvaro Estrada - A Vida De Maria Sabina: A Sábia Dos Cogumelos














Na noite de 29 para 30 de junho de 1955, quando assisti, pela primeira vez, a uma "velada" cantada por María Sabina, em Huautla de Jiménez, e, a convite dela, ingeri pela primeira vez os cogumelos divinos, fiquei pasmo. Foi no andar de baixo da casa de Cayetano García e sua esposa Guadalupe. A modesta hospitalidade de nossos anfitriões, de seus filhos e parentes, todos vestindo suas melhores roupas, o canto de María Sabina e de sua filha María Apolonia, a arte percutiva de María Sabina e sua dança nas trevas, combinados com os mundos distantes que eu via, com uma clareza visual jamais atingida pelos olhos em pleno dia - meu corpo estendido na esteira e respondendo a meu tato como se pertencesse a outra pessoa: - todos esses efeitos, compartilhados por meu fotógrafo, Allan Richardson, sacudiram-nos até o âmago de nosso ser. Minhas indagações etnomicológicas tinham-me levado longe, mas nunca esperei uma experiência extraterrena como aquela. Eis uma cerimônia religiosa, disse a mim mesmo naquele momento e durante os meses que se seguiram, que deve ser apresentada ao mundo de uma maneira digna, sem sensacionalismos, sem simplificações e sem torná-la grosseira, com sobriedade e veracidade.

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