Os contos justificam o título e assim como em Alguma Poesia , o autor
opta pela ambigüidade. Se não havia poesia digna em 1930, ele chegou com
alguma, sem estardalhaço. Da mesma forma, embora já tivesse publicado
Contos de Aprendiz , em 1951, ao se exercitar numa forma de expressão em
que não se sentia tão à vontade como na crônica e na poesia, Carlos
Drummond de Andrade quase pede desculpas, à sua maneira: os contos
plausíveis não são apenas admissíveis, razoáveis, mas sobretudo dignos
de aplauso.São textos verdadeiramente curtos, pequenos poemas em prosa,
mas contos. “Certo contos”, brinca Drummond, “os mais simples, parecem
inverossímeis, e os inverossímeis, pois também escrevi alguns desta
natureza, despertam o comentário: Daí, quem sabe? Tudo pode acontecer “.
O autor continua: “tenho a impressão de que tudo pode mesmo acontecer
em matéria de contos, ou melhor, no interior deles. Houve um que se
recusou a terminar, como se dissesse: Fica tão bom assim… só você não
percebe isto”.

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