A primeira demanda da justiça histórica advém do reconhecimento de sua existência. Reconhecer a injustiça cometida, nomear as vítimas, olhar no seu rosto, trazê-las ante nós como parte de nossa contemporaneidade, esse processo de rememoração é já um primeiro ato de justiça. Insuficiente, sem dúvida, porém necessário para os passos subsequentes. Esta modesta obra que colocamos ante o leitor pretende contribuir, modestamente, através da memória das vítimas, para a realização da justiça histórica de todos aqueles que sofreram a repressão, a tortura, a morte e o desaparecimento durante o estado de exceção no Brasil de 1964 a 1988. A justiça envolve muitos elementos, a saber, reconhecimento anamnético da injustiça, reparação do mal cometido, punição do culpáveis. Nesta obra não almejamos desenvolver a complexidade dos três passos, mas desejamos contribuir através do testemunho das vítimas para que sua memória seja reposta como forma primeira de justiça, na espera e na expectativa de que contribuir com isso à realização mais plena de justiça devida às vítimas.
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