Durante os últimos quarenta anos o distrito do
Jaguaré, na zona oeste do município de São Paulo, tem sofrido intensas
transformações sócio-espaciais: deixou de ser periférico e
essencialmente industrial para se tomar espaço privilegiado para a
construção de empreendimentos imobiliários e estratégico ponto de
passagem para outros bairros e cidades próximas à medida que avenidas
foram construídas. O distrito passa por forte valorização imobiliária
devido à sua grande acessibilidade para outros pontos da cidade - está
próximo de municípios que compõem a Região Metropolitana de São Paulo, é
delimitado pela Marginal do Rio Pinheiros e apresenta fácil acesso para
rodovias que conectam a capital com o interior paulista - e à
concentração de áreas verdes em seu entorno, representadas
principalmente pelo Parque Villa Lobos e pela Cidade Universitária. O
Jaguaré consolida-se como uma nova centralidade na cidade de São Paulo,
reiterada com as intervenções urbanísticas previstas pela Operação
Urbana Vila Leopoldina-Jaguaré. Por meio de levantamento bibliográfico e
da realização de trabalhos de campo, pretende-se analisar a produção do
espaço do Jaguaré a partir da passagem do capital industrial para o
capital financeiro, atualmente articulado ao setor imobiliário. A partir
do distrito do Jaguaré, será investigado como os interesses econômicos
do capital se relacionam com os interesses políticos do Estado e
fundamentam a apropriação privada do espaço e a fragmentação e
valorização do solo urbano.
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