Vista como uma vingança e um desabafo de Nelson Rodrigues contra
médicos, psicanalistas, jornalistas e especialmente contra a crítica
teatral, a “farsa irresponsável em três atos” mostra um dono de jornal
sem escrúpulos que, para discutir o problema da filha Lucy, promove uma
reunião com um médico, um psicanalista, uma cafetina e até o diabo
(papel de Jece Valadão). De esposa adúltera, Lucy se torna uma viúva
respeitosa que não quer mais sentar depois da morte do marido, Dorothy
Dalton, delinqüente juvenil transformado em crítico de teatro e obrigado
a se casar com a filha do patrão, apesar de ser homossexual. Além de um
contra-ataque, a peça também serviu como embrião para tipos que foram
retomados em trabalhos posteriores. O doutor J.B. de Albuquerque, dono
do jornal, pode ser considerado o primeiro molde do dr. Werneck, de
Bonitinha, mas ordinária, assim como a tia solteirona que gostaria de
ter 3.500 amantes reaparece em Toda nudez será castigada.
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