Dos pensadores modernos mais célebres, Nicolau Maquiavel é talvez o
primeiro a entregar ao público uma doutrina tão desencontrada e confusa.
Tão desencontrada e tão confusa que um de seus melhores intérpretes,
Benedetto Croce, resumiu quatro séculos de investigações com a conclusão
desencantada de que o pensador florentino é ‘um enigma que jamais será
resolvido’. Depois de Croce, outros estudiosos de primeira ordem, como
Leo Strauss, Quentin Skinner, Hans Baron e Maurizio Viroli acreditaram
poder resolver o enigma porém as soluções que lhe ofereceram divergiam
tanto umas das outras que só conseguiram multiplicá-lo.Evidentemente que
Olavo de Carvalho não pretende ter mais sorte do que esses seus
ilustres antecessores. Mas o seu objetivo não é compreendê-lo, torná-lo
mais inteligível. É traçar da maneira mais precisa possível o perfil da
sua ininteligibilidade, porque esta se incorporou de tal modo a cinco
séculos de discussão filosófica e política no Ocidente, que não há
exagero em considerá-la uma das constantes da modernidade.

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