Assim
como Cérbero da mitologia grega, o escritor Rafael Sperling conduz o
incauto leitor por seu reino literário subterrâneo, onde há espaço de
sobra para a ultra-violência, a sexualidade agressiva, o absurdo
cotidiano e a aniquilação. As 26 breves narrativas que compõem seu novo
livro, Um homem burro morreu, misturam sarcasmo
com elementos grotescos e nonsense, embalados por uma linguagem
coloquial que remete ao cinema, ao roteiro de TV, à publicidade, à
dramaturgia, à musica e à poesia. As imagens irracionais que habitam o
bizarro universo simbólico de Sperling permanecem na cabeça do leitor,
da mesma forma que o “nonsense de internet”, presente em vídeos e
“memes” que atraem o público exatamente por sintetizarem de forma tosca e
absurda os fatos cotidianos.
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