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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

J. O. De Meira Penna - Quando Mudam As Capitais
















A Capital exerce uma influência de terminante na vida de uma nação. Como sede do governo, órgão de centralização do Estado, centro diretor da vida política e, freqüentemente, da vida econômica e cultural do país, ela ocupa uma posição única e privilegiada. Sua importância não reside no volume do comércio ou da indústria, na extensão da área construída ou na cifra de sua população residente, porém na função especial e transcendente de governo e unificação. Posto de comando em caso de guerra, local onde se exprimem e se gastam os recursos espirituais da nacionalidade, a Capital é a cabeça pensante do Estado, o berço de suas leis e instituições e, como tal, representa uma comunidade sem fronteiras da qual é cidadão não apenas o domiciliado, porém todo nacional do país. Suas atividades, seus problemas, suas as pirações, seus projetos realistas ou sonhadores, as vicissitudes de sua vida multiforme interessam a toda a sociedade política que nela se sente e se reflete. Ela é o monumento que erguem o Povo e o Fundador, agindo de comum acordo, para celebrar sua própria glória e o refinamento de seu gosto artístico; ela é a vitrine da nação, a face que mostra ao mundo e, para esse edifício do orgulho patriótico, contribuem, através das idades do estilo, seus maiores arquitetos e seus mais famosos artistas. A Capital é um símbolo, tanto quanto um instrumento político.

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J. O. De Meira Penna - Opção Preferencial Pela Riqueza
















Desejo chegar a uma resposta plausível para a questão que enche toda essa obra e domina o momento atual brasileiro: a chamada "questão social". Se reconhecemos, em nosso país, a existência de contrastes excessivos de renda, fortuna, educação, saúde e cultura - que fazer para corrigir essa situação? Insisto que a pergunta "que fazer?" encontra-se tanto no conservadorismo ético da razão prática de um Kant, quanto no título de um livro revolucionário de Lênin. Pode-se, naturalmente, encolher os ombros diante da miséria. Podem-se aceitar as desigualdades. Pode-se mesmo enfatizá-las, glorificá-las nietzscheanamente, pretender que o darwinismo social selvagem constituía ideal de progresso: muita gente, hoje, exasperada com a retórica de esquerda, já aceitaria como legítima essa postura (é o caso do egoísmo heróico e "objetivista" da judia russa Ayn Rand, favorecida com um verdadeiro culto no EUA!) No Brasil, esse tipo de reação é bastante comum - embora quase sempre silenciosa ou inconsciente. Há gente que pensa: negro é burro mesmo; o que se deve fazer é obrigá-lo a trabalhar (uma ração aliás mais encontradiça entre gente branca humilde que na classe A...). Há também gente para a qual a questão social permanece, como antes de 1930, "uma questão de política".

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J. O. De Meira Penna - O Dinossauro: Uma Pesquisa Sobre O Estado
















Um livro sobre o país do futuro merece um título como O Dinossauro. A burocracia que congestiona o funcionamento da economia brasileira, e que o impede de jamais atingir seu posto profético, recebe nessa obra uma análise incomparável. Como em todas as boas investigações, o ataque se faz principalmente por meio da exposição competente e sóbria da realidade social. Cada caricatura habilidosamente traçada por Meira Penna evidencia os problemas jurássicos que não nos abandonam. E cada problema compreendido e evidenciado é razão bastante para o desejo de reforma. A comparação com Alexis de Tocqueville é inevitável. A diferença é que nosso Tocqueville não precisou ser importado. O Embaixador Meira Penna correu o resto mundo para compreender o Brasil de onde veio, o Brasil que sua inteligência nunca abandonou. Às vezes jocoso, às vezes deferente, o texto de Meira Penna é naturalmente brasileiro e sempre relevante. O Dinossauro ocupa lugar de destaque na prateleira de qualquer estudante que deseja compreender o que é o Estado patrimonialista brasileiro, sua história, e como sua atuação condenou o Brasil à posição de país do pretérito.

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