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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Lilia Moritz Schwarcz - O Espetáculo Das Raças: Cientistas, Instituições E Questão Racial No Brasil (1870-1930)














Um grande laboratório racial: era essa a imagem do Brasil no final do século passado. Construída pelos inúmeros viajantes que aqui aportavam, a alusão a um país de raças híbridas encontrava boa acolhida entre nossos intelectuais - juristas, médicos, literatos, naturalistas. Como entender, no entanto, que esses mesmos pensadores tenham feito das teorias raciais deterministas e evolutivas o seu baluarte intelectual, espalhando pela sociedade brasileira noções de superioridade racial e o estigma do pessimismo quanto ao futuro de uma nação mestiça? Esse é o desafio que a autora busca vencer, com base em documentos raros e muitas vezes inéditos: a compreensão da mentalidade de uma época em que conviveram o liberalismo político e o racismo oriundo das várias escolas darwinistas. Um paradoxo que marca até hoje e põe em xeque o país da democracia racial.

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domingo, 9 de outubro de 2016

Lilia Moritz Schwarcz & André Botelho (Orgs.) - Cidadania, Um Projeto Em Construção: Minorias, Justiça E Direitos














Dez autores, cada um com a sua especialidade, discorrem sobre assuntos tão diversos quanto importantes para o Brasil. Alguns temas são mais antigos, como a questão indígena, o racismo e a desigualdade social; outros mais recentes, como a linha tênue entre o público e o privado, a violência e a diversidade sexual, mas todos fundamentais para o que hoje conhecemos como ideia de cidadania, cujo amadurecimento só é possível a partir de um amplo debate. A introdução de André Botelho e Lilia Moritz Schwarcz, organizadores deste volume, resgata a noção de cidadania desde a sua criação na Antiguidade, mostra como ela foi se moldando aos diferentes períodos históricos, e finalmente define o conceito à luz da sociedade brasileira e de seus imensos desafios.

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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Lilia Moritz Schwarcz - Nem Preto Nem Branco, Muito Pelo Contrário














No Brasil, a questão do preconceito racial é tão complexa que parece desafiar a própria objetividade dos números. Em uma pesquisa realizada em 1988, 97% dos entrevistados afirmaram não serem racistas, mas 98% deles declararam conhecer alguém que fosse. E nem mesmo as análises mais biológicas, que apostam num DNA fixo para a nossa pele parecem resistir à ambiguidade das relações sociais brasileiras, já que, como se diz popularmente, “preto rico no Brasil é branco, assim como branco pobre é preto”. Nesse contexto, a determinação da própria cor se torna critério tão subjetivo que em questionário recente do IBGE, pautado na autoavaliação, foram detectadas mais de uma centena de colorações diferentes de pele. Em Nem preto nem branco, muito pelo contrário, a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz revela um país marcado por um tipo de racismo muito peculiar – negado publicamente, praticado na intimidade. Para isso, volta às origens de um Brasil recém-descoberto e apresenta ao leitor os primeiros relatos dos viajantes e as principais teorias a respeito dos “bárbaros gentis”, desse povo sem “F, sem L e sem R: sem fé, sem lei, sem rei”, teorias estas fundamentais para o leitor moderno entender a complexidade de uma nação miscigenada e com tantas nuances.

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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Lilia Moritz Schwarcz (Org.) - Contos Completos De Lima Barreto














A importância de Lima Barreto (1881-1922) na literatura brasileira tem sido objeto de sucessivas reavaliações. A oralidade despojada de seus textos e o tom memorialista e de crônica jornalística foram duramente criticados por contemporâneos como José Verissimo e, ao mesmo tempo, serviram de atrativo para as vanguardas modernistas. Embora tenha morrido cedo, aos 41 anos, Lima Barreto deixou uma importante produção de romances, crônicas e contos. Com organização, introdução e notas de Lilia Moritz Schwarcz, esta edição reúne os 149 contos do autor, resgatados por meio de pesquisas em manuscritos, edições originais, jornais e revistas da época. Tanto os contos menos conhecidos quanto alguns mais famosos, como “A Nova Califórnia” e “O homem que sabia javanês”, ressaltam o aspecto autobiográfico que, segundo a organizadora, perpassa toda a carreira de Lima Barreto. Testemunha ocular das convulsões políticas e sociais da República Velha, Lima Barreto foi um dos primeiros escritores a assumir sua negritude no Brasil. Ativista simpático ao anarquismo, descendente de escravos e protegido do Visconde de Ouro Preto, inseriu-se no mundo intelectual mas foi considerado um escritor de segunda categoria. Análises posteriores, como a do professor Antonio Candido, diriam que Lima Barreto é um autor “vivo e penetrante”. E sua inclusão tardia no cânone dos grandes ficcionistas da língua portuguesa seria apenas uma das muitas contradições que caracterizaram sua vida e obra. Ao rever sua produção literária cem anos depois da publicação de Recordações do escrivão Isaías Caminha, seu primeiro romance, o que vemos é o gênio rebelde eternizado pela fúria quixotesca de Policarpo Quaresma e nas manifestações mais livres e reveladoras de seus contos.

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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

André Botelho & Lilia Moritz Schwarcz - Um Enigma Chamado Brasil














Desde os tempos do Império, inúmeros autores se dedicaram à complexa tarefa de decifrar o Brasil. De tradições e épocas diferentes, um sem-número de interpretações foi escrito sobre a formação social do país, cujos temas ainda hoje inspiram discussões entre os especialistas. Nessa coletânea de artigos, 29 intérpretes do Brasil são analisados à luz de suas principais ideias e sob o ponto de vista de importantes pesquisadores contemporâneos. Escrita em linguagem acessível mas sem perder de vista a complexidade do tema, a obra estabelece um diálogo entre esses pensadores, suas obras e como suas idéias foram recebidas em determinados contextos. O resultado é uma compilação crítica que percorre o pensamento social em diferentes gerações: desde aqueles que se debruçaram sobre a construção do Estado durante o Império até os ensaístas clássicos da década de 1930, passando pelos teóricos do racismo científico, seus críticos na Primeira República, os modernistas nos anos 1920 e, finalmente, a geração pioneira dos cientistas sociais e seus primeiros discípulos. Ao reunir esses autores, 'Um Enigma Chamado Brasil' propõe contribuir para o debate contemporâneo e introduzir aos estudantes e entusiastas do tema idéias fundamentais para o entendimento da sociedade brasileira. Ao final de cada verbete há indicações de leitura e, ao final do livro, uma breve biografia dessas personalidades.

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