Um grande laboratório racial: era essa a imagem do Brasil no final do
século passado. Construída pelos inúmeros viajantes que aqui aportavam, a
alusão a um país de raças híbridas encontrava boa acolhida entre nossos
intelectuais - juristas, médicos, literatos, naturalistas. Como
entender, no entanto, que esses mesmos pensadores tenham feito das
teorias raciais deterministas e evolutivas o seu baluarte intelectual,
espalhando pela sociedade brasileira noções de superioridade racial e o
estigma do pessimismo quanto ao futuro de uma nação mestiça? Esse é o
desafio que a autora busca vencer, com base em documentos raros e muitas
vezes inéditos: a compreensão da mentalidade de uma época em que
conviveram o liberalismo político e o racismo oriundo das várias escolas
darwinistas. Um paradoxo que marca até hoje e põe em xeque o país da
democracia racial.
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