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domingo, 6 de novembro de 2016

Luís Da Câmara Cascudo - Contos Tradicionais Do Brasil














Contos Tradicionais do Brasil, de Luís da Câmara Cascudo, reúne cem histórias populares, colhidas diretamente na boca do povo brasileiro. Histórias de pobretões que conseguem a mão de princesas, de demônios logrados pela astúcia feminina, de assombramentos, de tratados com a morte, de criminosos denunciados pelo canto de um pássaro, de enigmas cuja resolução significa a riqueza e a felicidade, um mundo maravilhoso que fascina o povo brasileiro, como seduzia, há quatro, cinco mil anos, o homem do povo na Suméria, na Babilônia, no Egito. Mestre Cascudo ensina que o mais antigo conto que se conhece, narrando a história de dois irmãos, foi escrito por um escriba egípcio, há 32 séculos. História maravilhosa, envolve metempsicose, gravidez mágica, onipotência real e vários elementos ainda vivos nas histórias tradicionais brasileiras, num roteiro fantástico de mais de 3 mil anos, através dos mais diversos povos e culturas, até chegar à boca do contador popular nordestino ou da mãe carinhosa contando histórias para adormecer o filho. Infelizmente, com a urbanização e o advento dos meios eletrônicos de comunicação, essas estórias começaram a ser esquecidas, vivendo hoje na memória de alguns velhos e em obras como esses Contos Tradicionais do Brasil. Contos que oferecem ao leitor realmente curioso um duplo prazer: as histórias em si, cuja redação preserva aquela velha sabedoria e malícia popular, e as notas do mestre Cascudo, eruditíssimas, mas sem sombra de pedantismo, tão sedutoras quanto os próprios contos. O velho Diderot, citado por Machado de Assis, dizia que quando se faz um conto, o espírito fica alegre, o tempo escoa-se, e o conto da vida acaba, sem a gente dar por isso. Tão interessante quanto fazer contos é ouvi-los ou lê-los. O conto da vida passa rápido e cheio de encantamento.

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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Luís Câmara Cascudo - Mouros, Franceses E Judeus: Três Presenças No Brasil














Em Mouros, Franceses e Judeus, Luís da Câmara Cascudo estuda a presença destes três povos na cultura popular brasileira. Presenças persistentes através de crendices, histórias, gestos, hábitos alimentares, cujas origens se perdem na escura noite dos tempos, alguns chegados aqui quando o Brasil apenas despertava para a vida. Constantes culturais de dois, três mil anos, velhas de quinhentos anos no país e que continuam, límpidas e frescas, na vida cotidiana do povo brasileiro. Depois de séculos de presença na Península Ibérica, deixando marcas indeléveis na vida portuguesa, o mouro viajou para o Brasil na memória do colonizador, como observa Cascudo. Ninguém fala português sem empregar centenas de palavras de origem árabe: açúcar, arroz, azeitona. As mães-d'água, de canto irresistível, são parentes das mouras-encantadas. A presença árabe está em toda parte, na arquitetura, na doçaria, no pé do nordestino. A alparcata, tão popular no Nordeste, muitas vezes milenar, foi introduzida em Portugal pelo berbere. Presente no Brasil desde as primeiras expedições de reconhecimento da terra, o judeu deixou marcas de sua cultura em lendas, cerimônias religiosas, hábitos de comércio. Bem posterior, a influência francesa se tornou avassaladora a partir, sobretudo, dos séculos XVIII e XIX. Ainda hoje, os cantadores nordestinos invocam a figura de Roldão, como um herói imbatível, exemplo de coragem e honradez. 'É o único motivo popular inspirado por livro impresso', ensina mestre Cascudo. O livro é a História do Imperador Carlos Magno e dos Doze Pares de França, presente em toda casa de nordestino letrado, de onde se divulgou para o povo fascinado. Roldão e sua espada durindana continuam exaltados, ainda hoje, na literatura de cordel, como se acabassem de sair de um combate. Como dizia Sainte Beuve, a antiguidade é coisa nova.

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