Contos Tradicionais do Brasil, de Luís da Câmara Cascudo, reúne cem
histórias populares, colhidas diretamente na boca do povo brasileiro.
Histórias de pobretões que conseguem a mão de princesas, de demônios
logrados pela astúcia feminina, de assombramentos, de tratados com a
morte, de criminosos denunciados pelo canto de um pássaro, de enigmas
cuja resolução significa a riqueza e a felicidade, um mundo maravilhoso
que fascina o povo brasileiro, como seduzia, há quatro, cinco mil anos, o
homem do povo na Suméria, na Babilônia, no Egito.
Mestre Cascudo ensina que o mais antigo conto que se conhece, narrando a
história de dois irmãos, foi escrito por um escriba egípcio, há 32
séculos. História maravilhosa, envolve metempsicose, gravidez mágica,
onipotência real e vários elementos ainda vivos nas histórias
tradicionais brasileiras, num roteiro fantástico de mais de 3 mil anos,
através dos mais diversos povos e culturas, até chegar à boca do
contador popular nordestino ou da mãe carinhosa contando histórias para
adormecer o filho.
Infelizmente, com a urbanização e o advento dos meios eletrônicos de
comunicação, essas estórias começaram a ser esquecidas, vivendo hoje na
memória de alguns velhos e em obras como esses Contos Tradicionais do
Brasil.
Contos que oferecem ao leitor realmente curioso um duplo prazer: as
histórias em si, cuja redação preserva aquela velha sabedoria e malícia
popular, e as notas do mestre Cascudo, eruditíssimas, mas sem sombra de
pedantismo, tão sedutoras quanto os próprios contos.
O velho Diderot, citado por Machado de Assis, dizia que quando se faz um
conto, o espírito fica alegre, o tempo escoa-se, e o conto da vida
acaba, sem a gente dar por isso. Tão interessante quanto fazer contos é
ouvi-los ou lê-los. O conto da vida passa rápido e cheio de
encantamento.
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domingo, 6 de novembro de 2016
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Luís Câmara Cascudo - Mouros, Franceses E Judeus: Três Presenças No Brasil
Em Mouros, Franceses e Judeus, Luís da Câmara Cascudo estuda a presença
destes três povos na cultura popular brasileira. Presenças persistentes
através de crendices, histórias, gestos, hábitos alimentares, cujas
origens se perdem na escura noite dos tempos, alguns chegados aqui
quando o Brasil apenas despertava para a vida. Constantes culturais de
dois, três mil anos, velhas de quinhentos anos no país e que continuam,
límpidas e frescas, na vida cotidiana do povo brasileiro. Depois de
séculos de presença na Península Ibérica, deixando marcas indeléveis na
vida portuguesa, o mouro viajou para o Brasil na memória do colonizador,
como observa Cascudo. Ninguém fala português sem empregar centenas de
palavras de origem árabe: açúcar, arroz, azeitona. As mães-d'água, de
canto irresistível, são parentes das mouras-encantadas. A presença árabe
está em toda parte, na arquitetura, na doçaria, no pé do nordestino. A
alparcata, tão popular no Nordeste, muitas vezes milenar, foi
introduzida em Portugal pelo berbere. Presente no Brasil desde as
primeiras expedições de reconhecimento da terra, o judeu deixou marcas
de sua cultura em lendas, cerimônias religiosas, hábitos de comércio.
Bem posterior, a influência francesa se tornou avassaladora a partir,
sobretudo, dos séculos XVIII e XIX. Ainda hoje, os cantadores
nordestinos invocam a figura de Roldão, como um herói imbatível, exemplo
de coragem e honradez. 'É o único motivo popular inspirado por livro
impresso', ensina mestre Cascudo. O livro é a História do Imperador
Carlos Magno e dos Doze Pares de França, presente em toda casa de
nordestino letrado, de onde se divulgou para o povo fascinado. Roldão e
sua espada durindana continuam exaltados, ainda hoje, na literatura de
cordel, como se acabassem de sair de um combate. Como dizia Sainte
Beuve, a antiguidade é coisa nova.
Baixe o arquivo no formato epub aqui.
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