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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Peter Pál Pelbart - Da Clausura Do Fora Ao Fora Da Clausura: Loucura E Desrazão














O que é um pensamento "desarrazoado"? No que é ele distinto da loucura dita clínica, ou da sensata racionalidade? Quais experiências, no contexto contemporâneo, atestam a força de uma experiência da desrazão, seja no campo filosófico, poético ou mesmo existencial? Foucault mostrou que enquanto a sociedade enclausurava os ditos "loucos", paralelamente, segundo um registro e um ritmo próprios, a filosofia excluía de seu domínio uma dimensão desarrazoada com a qual mantivera, outrora, uma enigmática vizinhança. Peter Pál Pelbart acompanha e aprofunda essa intuição foucaultiana, e a prolonga na direção de nossa atualidade. Percorrendo autores como Kafka, Artaud, Blanchot, Barthes, Serres, Lacan, Derrida, e sobretudo Deleuze, o autor traça uma linha ziguezagueante no pensamento contemporâneo. Não se trata de estetizar a loucura, ignomínia frequente, muito menos de fazer a abominável apologia da irracionalidade. O desafio consiste, ao contrário, em sondar algumas potências do pensamento e da vida, em domínios diversos, que extrapolam a clausura que a racionalidade ocidental, em sintonia com a racionalidade psiquiátrica, reservaram a uma experiência da diferença.

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Peter Pál Pelbart - A Nau Do Tempo Rei














Estas falas, embora impregnadas por anos de (con)vivência clínica com pacientes ditos psicóticos, visam simplesmente reacender a potência de evocação, de questionamento e de estranhamento embutidas na loucura. Eis, pois, a molecagem filosófica que as inspira: a partir das disrupções da loucura, repensar algumas das clausuras nossas (temporais, políticas, estéticas, existenciais). A meio caminho entre a filosofia, a clínica, o manifesto, a literatura, o género híbrido corre o risco óbvio de desgostar a todos. Aos profissionais do conceito, pelo aspecto ligeiro, aos da transferência e da vida, pelo caráter aleatório ou duvidoso. Teriam um quê de razão, uns e outros, não fosse a circunstância particular de que determinadas experimentações teóricas e vitais têm na divagação e na digressão sua matéria-prima. Pois na sua textura mais íntima, mesmo quando atreladas a aparatos académicos rigorosos, as experimentações teóricas comportam um quinhão irredutível de ficção.

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