Datada de 1906, a obra de Raul Brandão Os Pobres é considerada um
ponto de viragem no trabalho do escritor que se consagrou por ser o
primeiro autor português a enveredar pelo expressionismo literário, a
corrente literária que dá primazia à expressão de sentimentos em relação
à simples descrição objetiva da realidade. Na altura em que
escreveu Os Pobres Raul Brandão, farto da vida citadina lisboeta,
decidira-se recolher na sua propriedade que adquirira em 1903, em
Nespereira, nas proximidades de Guimarães, chamada Casa do Alto. Nesta
habitação, não se dedicou apenas à escrita, mas também à administração
da sua propriedade. O contacto direto com o mundo rural despertou no
escritor e no homem sentimentos de comiseração e de pesar relativamente
às agruras que marcavam a condição das comunidades agrícolas. Assim se
explica como o porquê desta obra refletir o problema de consciência
perante os homens oprimidos, um tema que passou a ser incluído nas suas
obras posteriores.
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Estamos Em Uma "Casa" Nova
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quinta-feira, 13 de outubro de 2016
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Raul Brandão - A Morte Do Palhaço
K. Maurício é um palhaço de circo que adora fazer rir as
pessoas, tornando-as felizes. Durante as suas atuações, em cada gesto ou
palavra, exprime o seu estado de espírito e a sua vida fantasiosa e faz isto
perfeitamente porque vive num constante mundo de sonho, sem dar importância ao
que é mundano. Um dia apaixona-se por
Camélia, uma trapezista, mas ao exprimir o seu amor, expondo os seus
sentimentos como costuma fazer nas suas atuações, apercebe-se que Camélia
apenas se ri das suas lágrimas e dos seus sentimentos. Isto acaba por leva-lo
ao desespero e a cometer actos encabeçados pelo ciúme.
A obra foi publicada pela primeira vez em 1896 sob o título
de “História d’um Palhaço (A Vida e o Diário de K. Maurício)” na qual incluía
duas partes: A história trágica do Palhaço contada na terceira pessoa; e um
diário, contado na primeira pessoa, sobre as reflexões pessoais do protagonista
durante o desenrolar dos acontecimentos da primeira parte – Este tipo de
estrutura narrativa torna-a numa obra vanguardista para a época em que foi pela
primeira vez publicada.
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