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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Raymond Carver - 68 Contos De Raymond Carver














Mesmo após a morte do escritor americano Raymond Carver, em 1988, a importância de sua obra não para de crescer no meio literário internacional. Mas embora ele seja cada vez mais frequentemente saudado como “o novo Tchekhov”, isto é, um novo mestre do conto, sua obra permanece publicada de forma dispersa em quase todos os países do mundo. Para que esse paradoxo editorial acabe de uma vez por todas no Brasil, a Companhia das Letras lança 68 contos, a mais ampla reunião das histórias de Carver existente fora dos Estados Unidos. A seção inicial do volume reúne cinco narrativas feitas entre 1960 e 1967. Em seguida, vêm os dois primeiros livros de Carver: Você poderia ficar quieta, por favor?, de 1976, e Do que estamos falando quando falamos de amor, de 1981. Mais adiante, estão os contos incluídos em Fogos, de abril de 1983, uma miscelânea de ficção, poesia e ensaística. Surge então sua obra-prima, Catedral, que saiu em setembro do mesmo ano. Por fim, na seção “Contos recolhidos”, encontram-se cinco histórias dos anos 1980, que permaneceram inéditas em livro até 2001. As narrativas permitem, juntamente com os subsídios fornecidos na introdução assinada por Rodrigo Lacerda, que os leitores finalmente entendam a grande polêmica que paira sobre a literatura do mestre do conto americano: a forte intervenção de seu editor, Gordon Lish, em um de seus livros mais famosos, Do que estamos falando quando falamos de amor. Para compreender essa polêmica, este volume oferece ao leitor brasileiro a chance de, em alguns casos especialmente eloquentes, comparar duas versões de um mesmo texto, uma escrita com e outra sem a interferência de Lish. Para os aficcionados, esse exercício comparativo se completa com o livro Iniciantes, já lançado pela Companhia das Letras em 2009, no qual todas as histórias de Do que estamos falando quando falamos de amor reaparecem integralmente restauradas conforme os originais de Carver. Mas é sobretudo aos leitores em geral que esse lançamento se dirige, e a eles 68 contos reserva o olhar incrivelmente poético do escritor sobre as cidades periféricas dos Estados Unidos e sua população de “caipiras de shopping center”, personagens traumatizados pela exclusão, em luta consigo mesmos, mas de uma generosa humanidade. Graças à aguda percepção que Carver possuía do mundo material, em suas histórias emoções vastas são comprimidas em episódios cotidianos, com naturalidade de tom e irrestrita solidariedade com as fraquezas humanas.

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Raymond Carver - Iniciantes














Os contos que formam a coletânea Iniciantes foram publicados pela primeira vez em 1981, com enorme sucesso de público e crítica, sob o título What we talk about when we talk about love. O livrinho, de não de mais de 130 páginas, valeu a Raymond Carver o epíteto de escritor "minimalista", tão surpreendentemente enxutos, breves e silenciosos os textos pareciam. Mais tarde o público ficou sabendo que Gordon Lish, o editor de Carver na Knopf, havia cortado o texto dos contos em cerca de 50%. Agora, o vasto e fiel leitorado de Carver, nos Estados Unidos e no Brasil, simultaneamente, tem acesso aos dezessete contos integrais, do jeito que saíram da pena e do imenso talento de Carver. Apesar de falar de gente normal sem traços de genialidade, heroísmo ou arroubos românticos, o que mais impressiona na obra de Raymond Carver é o caráter descentrado de seus personagens, "caipiras de shopping center", como os chamou seu primeiro editor. São basicamente histórias de alcoolismo e de casamentos em ruínas, protagonizadas por figuras anônimas da classe trabalhadora envolvidas em sua luta inglória e quase sempre perdida por uma vida dentro dos inalcançáveis padrões do sonho americano. O estilo dos contos originais de Raymond Carver, desidratado de firulas retóricas, mas não de vozes humanas densas e palpáveis, adapta-se à perfeição a um neorrealismo americano que, em versão cinematográfica, resultou no excepcional Short cuts, de Robert Altman, de 1993, diretamente inspirado em vários dos textos incluídos neste Iniciantes.

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