Carmen, o novo livro de Ruy Castro, é a maior biografia de um artista já
publicada no Brasil. Ano a ano, o autor acompanha a vida da brasileira
mais famosa do século XX – do nascimento da menina Maria do Carmo, numa
aldeia em Portugal (e a vinda ao Rio de Janeiro, em 1909, com dez meses
de idade), à consagração brasileira e internacional de Carmen Miranda e
sua morte em Beverly Hills, aos 46 anos, vítima da carreira meteórica e
dos muitos soníferos e estimulantes que massacraram seu organismo em
pouco tempo. Mas Carmen não é apenas uma biografia. Enquanto entrelaça a
intimidade e a vida pública da maior estrela do Brasil, Ruy Castro nos
leva a um passeio pelo Rio dos anos 20 e 30, e por Nova York e Hollywood
dos anos 40 e 50 – cenários em que é especialista. E ainda resgata a
história da música popular brasileira, da praia, do Carnaval, da
juventude do passado, da Rádio Mayrink Veiga, do Cassino da Urca, da
Broadway, dos gângsters que dominavam os nightclubs americanos e dos
bastidores dos estúdios de cinema – numa época em que para estrelas como
Carmen, as noites não tinham fim.
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sábado, 22 de outubro de 2016
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Ruy Castro - A Noite Do Meu Bem: A História E As Histórias Do Samba-Canção
Até 1946, quando o presidente Eurico Gaspar Dutra proibiu os jogos de
azar no Brasil, a noite carioca girava em torno dos grandes cassinos: o
da Urca, o do Copacabana Palace, o Atlântico, ou mesmo, subindo a serra,
o Quitandinha, em Petrópolis. Eram verdadeiros impérios da boemia, onde
a roleta e o pano verde serviam de pretexto para espetáculos luxuosos,
atrações internacionais e muito champanhe. A canetada presidencial gerou uma legião de desempregados - músicos,
cantores, dançarinas, coristas, barmen, crupiês - e um contingente ainda
maior de notívagos carentes. Os cassinos fecharam para sempre, mas os
indestrutíveis profissionais da noite, sem falar nos boêmios de plantão,
logo encontraram um novo habitat: as boates de Copacabana. Eram casas em tudo diversas dos cassinos. Em vez das apresentações
grandiosas, dos espaçosos salões de baile e das orquestras em formação
completa - que estimulavam uma noite ruidosa -, as boates, com seus
pianos e candelabros, favoreciam a penumbra e a conversa a dois. Isso não quer dizer que tenham deixado de ser o centro da vida social.
Ao contrário, não havia lugar melhor para saber, em primeira mão, da
queda de um ministro, de um choque na cotação do café ou de um escândalo
financeiro do que nas principais boates, como o mítico Vogue,
frequentado por exuberantes luminares da República e por grã-finos
discretos e atentos. Mas a noite era outra: assim como a ambiance, a música baixou
de tom. Os instrumentistas e cantores voltaram aos palcos em formações
menores, andamento médio e volume baixo, quase um sussurro. Tomava corpo
um novo gênero, um samba suavizado pela canção, que encontrou nas
boates o lugar ideal para se desenvolver plenamente. Essa nova música, com seus compositores, letristas e cantores; as
boates, com seus criadores, funcionários e frequentadores, e o excitante
contexto social e histórico que fez tudo isso possível são o tema do
novo livro de Ruy Castro, que mais uma vez nos delicia com sua prosa
arrebatadora.
Baixe o arquivo no formato epub aqui.
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