Imitemos um pouco a sabedoria
de nossos adversários. Vejam, todos os governos têm na boca a palavra
liberdade, enquanto seus atos são reacionários. Que as autoridades
revolucionárias não façam mais frases, mas, usando uma linguagem mais moderada,
a mais pacífica possível, façam
a revolução. É totalmente o
inverso do que as autoridades revolucionárias, em todos os países, fizeram até
hoje: elas foram a maior parte das vezes excessivamente enérgicas e
revolucionárias em sua linguagem e muito moderadas, para não dizer muito
reacionárias, em seus atos. Pode-se mesmo dizer que a energia da linguagem, a maior parte das vezes, serviu-lhes de máscara para
enganar o povo, para lhe esconder a fraqueza e a incoerência de seus atos. Há homens, muitos homens, na
burguesia supostamente revolucionária que, ao pronunciarem algumas palavras
revolucionárias julgam fazer a revolução, e que, depois de as terem pronunciado,
julgam-se com o direito de cometer atos de fraqueza, inconsequências fatais,
atos de pura reação. Nós, que somos revolucionários para valer, fazemos absolutamente
o contrário. Falamos pouco de revolução, mas a fazemos. Deixemos por agora a
outros o cuidado de desenvolver teoricamente os princípios da revolução social,
e contentemos-nos em aplicá-los, em encarná-los nos fatos.
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