Em “A comunidade que vem”, Agamben pensa sobre aquilo
que, até recentemente, não parecia ser um modo político de pensar uma
comunidade: não fundada em ideais de identidade e universalidade. A “comunidade que vem” se torna uma chave para
pensar o que Agamben chama de “singularidades quaisquer”. O filósofo aponta para essa ausência de conteúdos
determinados como um paradigma do seu pensamento político: “A política
da singularidade qualquer, isto é, de um ser cuja comunidade não é
mediada por nenhuma condição de pertencimento”, escreve Agamben no mesmo
capítulo sobre a comunidade que vem. Por isso, o tradutor destaca
como nova característica da política o que Agamben identifica como não
mais a luta pela conquista ou pelo controle do Estado, mas a luta entre o
Estado e o não-Estado.
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