A
autora apresenta os principais traços do pensamento de Hannah Arendt sobre o
tema da dignidade humana no mundo contemporâneo, que para a filósofa política
de origem alemã caiu sob a hegemonia de um suposto progresso social, em nome do
qual é justificada a sistemática exclusão de grupos maciços de indivíduos.
De acordo com a autora,
para Arendt - reconhecida como uma das principais estudiosas do totalitarismo -
a despeito do caráter universal que a tradição ocidental atribuía à dignidade
do homem, esta só é real e se torna efetiva quando os indivíduos fazem parte de
uma comunidade na qual compartilham a liberdade e a responsabilidade.
Isso é impossível sob o
totalitarismo, que através do controle total do comportamento humano consegue
dissolver os limites entre o domínio público e a esfera privada, forjando um
mundo em que o sentido das ações humanas passa a remeter a finalidades voltadas
para o progresso biológico ou social da espécie.
Assim, o princípio da
dignidade humana pode ser substituído pela descartabilidade em massa, sob um
aparente véu de legitimidade. A autora também discute as relações estabelecidas
por Arendt entre este fenômeno e a instabilidade inerente à própria estrutura
do Estado-nação, agravada pelo capitalismo, e os perigos que representam as
novas formas de dominação para a cultura ocidental e a própria humanidade.
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