Ao abordar seus métodos e procedimentos de pesquisa e escrita, Gilberto Freyre empenhou-se, como intérprete da formação da sociedade brasileira, em ressaltar sua opção pela adoção da pluralidade de olhares e abordagens, enunciando seu pensamento a partir de múltiplos lugares. Sendo e não sendo – a seu modo – sociólogo, antropólogo, historiador, político e escritor, o autor acionou, por vezes, o conceito de empatia como pressuposto analítico. Assim como em sua narrativa a linguagem se caracteriza pela pessoalidade, que confere a seu texto – por vezes – um ritmo de diálogo marcado pela espontaneidade e intimidade com o leitor, em seus escritos sobre museus e patrimônio, publicados ao longo do século XX, veem-se articulados desejos e sugestões em torno de uma museologia integrativa e criadora, capaz de agenciar afetos e de aproximar instituição, objetos e públicos, por fazer conviver histórias distintas e representar um modo de existência, um modo de ser: regional. Apresentaremos com esta comunicação os resultados parciais da pesquisa Museu a seu modo: o museu como dispositivo de validação da Teoria Freyreana, onde, articulando a leitura dos documentos e os diálogos de Gilberto Freyre com uma rede de teóricos afins, buscamos identificar como o conceito de empatia atravessa as concepções de museu e museologia deste autor.
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