Quando transformados em objeto de pesquisa científica, os produtos jornalísticos, tão definitivos e estanques, ao primeiro olhar, revelam-se vivos e repletos de histórias a serem descobertas por detrás da palavra enunciada. O jornalista, enquanto historiador do instante, interpreta os acontecimentos e não apenas os recita. As narrativas jornalísticas, mesmo tendo como norte a objetividade e a imparcialidade, são espaços de subjetividade. Mediador, o jornalista imprime seu ponto de vista à notícia, mesmo quando não opina. Os estudos acerca da filtragem e das rotinas da profissão demonstram a característica hermenêutica do jornalismo. Considerando estes aspectos, a Análise Global de Processos Jornalísticos (AGPJ) vincula-se ao paradigma construcionista dos estudos de jornalismo, que o define como um dos processos construtores da realidade – ao mesmo tempo em que é construído por ela.
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