O conceito iluminista de autonomia, que adquire centralidade em Kant,
foi essencial para o desenvolvimento da sociedade e da educação desde a
modernidade. Kant propôs uma educação a partir da metafísica da
subjetividade como uma ética aplicada, formulou tal sentido por meio de
uma fundamentação filosófica racionalizada de autodeterminação e
autonomia. Para ele, o homem guiado pela sua razão universal, agindo por
dever, segundo o imperativo categórico, é auto-responsável e autônomo,
enquanto o homem sensível que recebe influências externas à razão, é o
homem em condição de heteronomia. Em Paulo Freire a autonomia ganha um
sentido sócio-político-pedagógico, cabe à educação formar o homem
consciente e crítico, capaz de transformar as estruturas opressoras e
alienantes, capaz de transformar as condições concretas de heteronomia.
Essa obra tematiza, a partir de Kant e Freire, aspectos de uma educação
que vise superar as heteronomias do nosso tempo e formar para a
autonomia. Para tal, analisamos a concepção de autonomia de cada autor,
as heteronomias contra as quais se voltam, as confluências e
dissonâncias entre ambos os autores, bem como, as heranças kantianas
indiretas presentes em Freire. Em oposição às correntes tecnicistas,
abordamos a educação como formação da totalidade do humano, por isso
também analisamos os aspectos políticos, éticos e estéticos envolvidos
na proposta de educação para a autonomia dos autores. Ao tratarmos da
formação estética abordamos Schiller, que é um continuador da obra de
Kant e que, juntamente com Freire, mostra-nos a importância de, ao
falarmos de autonomia, não pensarmos ética e estética como opostas.
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