Em seu conjunto, essa
coletânea reúne reflexões teórico-metodológicas e manifestações públicas realizadas
no âmbito da Associação Brasileira de Antropologia sob minha presidência (2011-2012),
sobre os paradoxos existentes entre a especificidade da produção do
conhecimento antropológico e a regulação da ética de pesquisa vigente no Brasil
através da resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Expõe, assim, as complexidades
e os dilemas inerentes ao fazer antropológico numa conjuntura marcada, de um
lado, pela expansão e reconfiguração da antropologia e, de outro, pelo
reducionismo técnico-científico que rege as deliberações sobre os projetos de
pesquisa de caráter etnográfico a partir de critérios biomédicos da Comissão
Nacional de Ética de Pesquisa (CONEP) do Ministério da Saúde. Contrapondo-se a
essa situação insólita, essa publicação tem o mérito de trazer subsídios que visam,
em última análise, contemplar as gestões da ABA para que as pesquisas em
antropologia, assim como nas demais ciências sociais e humanas, sejam aferidas
por critérios condizentes às investigações sobre seres humanos no âmbito do Ministério
de Ciência, Tecnologia e Inovação.
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