O que significa riso? O que há no fundo do risível? O que haveria de
comum entre uma careta de palhaço, um jogo de palavras, um qüiproquó de
vaudeville, uma cena de comédia fina? Que destilação nos dará a
essência, sempre a mesma, da qual tantos diferentes produtos extraem
indiscreto odor ou delicado perfume? Os maiores pensadores, desde
Aristóteles, estiveram às voltas com esse probleminha, que se sempre se
esquiva aos esforços, escorrega, escapa e ressurge, impertinente desafio
lançado à especulação filosófica. Nossa escusa, para abordar o
problema, é que não teremos em vista encerrar a invenção cômica numa
definição. Vemos nela, acima de tudo, algo vivo. Por mais ligeira que
seja, nós a trataremos com o respeito que se deve à vida.
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