João Antônio foi escritor e jornalista de beiradas. Tanto seus
personagens literários quanto seus personagens reais expostos nas reportagens
que fez ao longo de sua curta carreira jornalística tinham perfis
característicos: eram excluídos, sujos, feios, justamente aqueles que passavam
longe das páginas de jornais e de revistas. Eram as beiradas da sociedade que
forneciam o combustível para a motivação da escrita de João Antônio. Era nas
beiradas que ele, de alguma forma, construía o acontecimento, formatava o
personagem, escancarava uma sociedade corrompida e injusta. E fazia isso de
forma transgressora diante das normas e práticas jornalísticas existentes. Através
dos documentos do processo de João Antônio, a trajetória desta pesquisa
procurou definir de forma mais clara os marcadores de autoria justamente para
chegar ao momento em que o jornalista passou a se valer do jornalismo de
beiradas e sua forma transgressora de produção e criação. Nesse contexto, perguntas
como “que mecanismos foram acessados por João Antônio na composição de suas
reportagens?”, “como esses mecanismos foram acessados?” e “para que foram
acessados” tornaram-se importantes para desvendar esse caminho. Outra
problematização buscada foi a de que se o percurso do desenvolvimento na
escritura de João Antônio teve ou não outra configuração a partir do momento em
que foi publicado na revista e, especialmente, como se processa a semiose –
teoria em movimento – desse processo de criação pelo autor. E, no decorrer do
processo, quais as formas transgressoras adotadas por João Antônio nas normas e
regras do jornalismo tradicional.
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