Na imprensa, as secções de correspondência são configuradas por um
conjunto de regras informais definidas pelas publicações, que conferem uma
especificidade ao tipo de vozes e temáticas que aí acedem e, consequentemente,
adquirem visibilidade pública. Para estudar a forma como a voz dos leitores é enquadrada
na imprensa portuguesa e o relacionamento que se estabelece entre esta última e
os seus destinatários, centrámos a nossa investigação nas rubricas de cartas
dos leitores de quatro publicações impressas portuguesas de âmbito nacional
(três jornais e uma newsmagazine), mobilizando diversas metodologias,
quantitativas e qualitativas, que nos possibilitassem não só uma compreensão
mais profunda sobre o processo de selecção dos textos dos leitores, seus temas
predominantes e estilos discursivos, mas também acerca das percepções que, quer
a imprensa, quer o público, evidenciam sobre as funções do espaço de
correspondência e, ainda, as motivações que estão na origem da procura de uma
intervenção pública, na escrita de uma carta do leitor.
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