Em países em estágios intermediários de desenvolvimento, como é o
caso do Brasil, a indústria de transformação é fundamental para
incrementar indicadores econômicos e sociais. Afinal a manufatura, com
sua característica de demandar inúmeros bens e serviços, tem capacidade
de movimentar e acelerar o crescimento de diversos setores, além de
possuir, por sua própria natureza, a faculdade de inovar, inventar e
difundir tecnologia. Por tamanha importância, o setor manufatureiro é um dos focos
principais de estudos econômicos em todo o mundo, à medida que sua
participação no Produto Interno Bruto dos países é sempre um indicador
do potencial de geração de emprego e desenvolvimento social. Tomando como base o desempenho da indústria brasileira nos anos 2000, o
economista Paulo César Morceiro questiona se está em curso um processo
de desindustrialização e de que tipo, como se manifesta e quais são suas
causas e consequências mais significativas para a economia do país. O autor demonstra, então, que há sim um novo e não desprezível processo
de desindustrialização no Brasil, reiniciado em 2005 e aprofundado no
triênio 2009 a 2011. Paulo Morceiro qualifica a desindustrialização como
precoce e nociva ao desenvolvimento, uma variante patológica do
processo de desenvolvimento socioeconômico "normal" verificado em alguns
países desenvolvidos.
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