Com cultura, com muita
cultura, é possível que as cidades se transformem em espetáculos (e
talvez, caso se passe do ponto, em meros espetáculos); e sem cultura, as
cidades continuam sendo cidades paranóicas, para usar as expressões de
Canclini. Pode a cultura modificar as anomalias estruturais de uma
cidade? Existe hoje a desconfiança – e, mais que isso, claros sinais
objetivos – de que só a política ou um conjunto de ambas não fará as
mudanças de raiz necessárias. Talvez não se possa fazer das cidades
aquilo que se pretende. Mas não há porque ver passivamente a cidade
derrapar para o buraco negro da incivilidade e da perda do real sentido
do que é ser urbano. O recurso à cultura é uma estratégia eficaz. Em
todo caso, melhor.
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