O livro, bastante instigante, é fruto de uma oficina de
fotografia realizada com dois grupos de idosos da Universidade Aberta à
Terceira Idade da Universidade Estadual de Londrina (PR), nos quais os
participantes fotografaram orientados pelas seguintes perguntas: "O que é
importante na vida, hoje?" e "Que imagem ou cena você tomaria agora
para representar algo que ainda não aconteceu em sua vida, mas que você
pretende que aconteça no futuro?". Assim pautados, os grupos produziram imagens relacionadas a sua
atividade corrente, família e amizade, afastando-se assim da valorização
visual, através das fotos, de reminiscências da juventude ou alguma
espécie de retorno ao passado pela via do presente. Nesses termos, a
pesquisa, de certa forma, enfraqueceu o estereótipo de um idoso
inexoravelmente atado ao passado e o mostrou capaz de tentativas de
prospecção do futuro, e ainda em busca de produção de sentidos. De posse de resultados como o descrito, a abordagem obedecida pelo
livro revigora a discussão construcionista no contexto da Psicologia
Social, reafirmando que a realidade não está dada a priori como
objetividade absoluta, mas é construída na interação humana, como
processo.
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