Os formalistas russos são responsáveis por uma renovação da
metalinguagem crítica, fornecendo novos termos de análise do texto
literário, discutíveis individualmente, sem dúvida, mas que constituem
ainda hoje objecto de reflexão e discussão, o que prova a sua
importância. Muitos dos temas teóricos escolhidos para investigação
nunca antes haviam sido discutidos: as funções da linguagem, em
particular a relação entre a função emotiva e a função poética (Roman
Jakobson), a entoação como princípio constitutivo do verso (B.
Eikhenbaum), a influência do metro, da norma métrica, do ritmo quer na
poesia quer na prosa (B. Tomachevski), a estrutura do conto fantástico
(V. Propp), a metodologia dos estudos literários (J. Tynianov), etc. De
entre os conceitos e discussões técnicas sobre terminologia literária
(discutidos individualmente neste Dicionário) são de realçar a noção de literariedade ou literaturnost
(o que faz com que um texto literário seja considerado literário; de
notar que os formalistas ignoraram as formas não literárias, servindo-se
apenas delas para mostrar precisamente que o que distingue um texto
literário de um não literário é a literariedade); o estranhamento ou ostranienie,
que Shklovsky define como a forma que a arte tem de tornar “estranho”
aquilo que tem uma existência comum nascido de um processo de automatização (processo
que se confunde com a banalização do objecto de arte, que só por um
outro processo de renovação poderá proceder a um renascimento da arte); o
predomínio da forma sobre o conteúdo do texto literário, porque é a forma que determina verdadeiramente a literariedade; e as noções de fabula e sjuzhet, como princípios constitutivos o texto em prosa (a fabula é o material primitivo de onde nascerá a narrativa, organizada em torno de uma trama ou sjuzhet,
elemento puramente literário, que não se confude com a narração
cronológica dos acontecimentos, mas é antes uma espécie de estranhamento
narrativo da fabula).
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