O editorial da primavera de 1988 dos Annales convida os
historiadores a uma reflexão comum a partir de uma dupla constatação.
Por uma lado, afirma a existência de uma ” crise geral das ciências
sociais”, que se nota tanto no abandono dos sistemas globais de
interpretação, destes “paradigmas dominantes” que foram, durante certo
tempo, o estruturalismo ou o marxismo, quanto na rejeição proclamada das
ideologias que lhe haviam garantido o sucesso (ou seja, a adesão a um
modelo de transformação radical, socialista, das sociedades ocidentais
capitalistas e liberais). Por outro lado, o texto não aplica à história a
íntegra de tal diagnóstico, pois conclui: “Não nos parece chegado o
momento da hipótese de uma crise da história, que alguns aceitam com
excessiva comodidade”. A história é, pois, vista como uma disciplina
ainda sadia e vigorosa, no entanto atravessada por incertezas devidas ao
esgotamento de suas alianças tradicionais (com a geografia, a
etnologia, a sociologia), e à obliteração das técnicas de tratamento,
bem como dos modos de inteligibilidade que davam unidade a seus objetos e
a seus encaminhamentos. O estado de indecisão que a caracteriza hoje em
dia seria, portanto, algo como o próprio reverso de uma vitalidade que,
de maneira livre e desordenada, multiplica os campos de pesquisa, as
experiências, os encontros.
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