O objetivo da autora aqui é discutir como se dá, no trabalho da
romancista e contista escocesa Muriel Spark (1918-2006), a constituição
das personagens femininas e a forma como estas veem a si mesmas e aos
outros. A análise tem como base a coletânea composta de 41 contos
publicada em 2001 sob o título de "All the Stories of Muriel Spark"
(inédita no Brasil), cujas narrativas, em sua maioria, já haviam sido
publicadas anteriormente em outras coletâneas ou em outros meios, como
jornais e revistas. A autora também estuda nos contos o modo como os textos da escritora
revelam sua visão peculiar do mundo e dos indivíduos, que foi se
tornando mais amarga, embora mais compreensiva, com o passar do tempo.
As narrativas curtas sparkianas se distinguem por refletir os diferentes
contextos históricos vividos pela escritora: há contos que têm como
ambiente a África, onde ela viveu nos anos 1930 e 1940, outros que se
passam na Europa do pós-guerra e ainda os contos escritos mais
recentemente. De passagem, a pesquisadora também analisa o engajamento político e
ideológico de Muriel Spark, cuja vida conflituosa não a impediu de
alcançar considerável sucesso de crítica e público nos países de língua
inglesa. Sua obra-prima, o romance "Primavera de Miss Jean Brodie"
(1961), foi adaptada para o cinema - o filme foi exibido no Brasil sob o
título "Primavera de uma Solteirona".
Nenhum comentário:
Postar um comentário