Roxana Guadalupe Herrera Alvarez procura discutir nesta obra o
processo de criação artística a partir das questões relativas ao
conceito de realidade, desenvolvidas pelo pensador suíço Jean Piaget. A
autora destoa, porém, da abordagem mais generalista de Howard Gardner - o
primeiro a aplicar Piaget nos estudos sobre a criação artística e de
quem se declara seguidora neste trabalho. Aqui ela utiliza a função
simbólica piagetiana para analisar especificamente a obra do contista e
romancista argentino Julio Cortázar (1914-84). Para a pesquisadora, Cortázar é um excelente ancoradouro para essa
proposta: o escritor se revela como um criador de mundos, ao romper com
os moldes literários clássicos, especialmente do conto, por meio de
narrativas que desafiam a linearidade temporal e onde os personagens
adquirem autonomia e profundidade psicológica inédita, inclusive negando
o mundo como um lugar absoluto, conhecido e seguro. A produção do autor argentino também é fértil em reflexões constantes
sobre o ato criador, o que permite à autora estabelecer, por esta via de
mão dupla na obra cortazariana, uma relação profícua entre a criação de
uma obra artística e os primórdios da consciência do artista que a
criou.
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