A autora investiga o romance "O selvagem da ópera", de Rubem
Fonseca, publicado em 1994 e que se destaca por certa excepcionalidade
dentro da obra do escritor, conhecido pelo uso da linguagem das ruas e
pela ênfase nas situações de violência social - embora neste texto,
publicado quatro anos após ter lançado "Agosto", em que mesclava
história e ficção para narrar os acontecimentos do mês em que Getúlio
Vargas se suicidou, também volte a utilizar esses elementos. No livro, Fonseca debruça-se sobre a vida do compositor Carlos Gomes,
famoso por sua ópera "O Guarani", desde a sua partida de Campinas para o
Rio de Janeiro de D. Pedro II, e depois para a Itália, onde encontraria
a glória e o fracasso. O autor não se limita, porém, à simples
narrativa histórica: investe também no hibridismo de gêneros, já que é
contado para o leitor que o romance servirá de base para um filme de
longa-metragem. Dessa forma, segundo a pesquisadora, Fonseca, empregando o recurso da
metaficção, monta um jogo de simulacros e armadilhas, deixando o leitor
indeciso se está diante de um material biográfico ou de um roteiro
cinematográfico. Além da análise formal, o livro também discute as
implicações trazidas pelo olhar inovador de Fonseca diante do cenário
artístico e cultural da segunda metade do século 19.
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