Escancarada, a ditadura firmou-se. A tortura foi o seu instrumento
extremo de coerção e extermínio, o último recurso da repressão política
que o AI-5 libertou das amarras da legalidade. A ditadura envergonhada
foi substituída por um regime a um só tempo anárquico nos quartéis e
violento nas prisões. Foram os Anos de Chumbo. Este livro trada do
período que vai de 1969, logo depois da edição do AI-5, ao extermínio da
guerrilha do Partido Comunista do Brasil, nas matas do Araguaia, em 74.
Foi o mais duro período da mais duradoura das ditaduras nacionais. Ao
mesmo tempo, foi a época das alegrias da Copa do Mundo de 1970, do
aparecimento da TV em cores, das inéditas taxas de crescimento econômico
e de um regime em pleno emprego. Foi o Milagre Brasileiro. O Milagre
Brasileiro e os Anos de Chumbo foram simultâneos. Ambos reais,
coexistiram negando-se. Quem acha que houve um, não acredita (ou não
gosta de admitir) que houve o outro. Nas páginas deste livro, estão os
dois. Se nelas há mais do chumbo que do milagre, isso se deve à
convicção do autor de que a tortura e a coerção política dominaram o
período. A tortura envenenou a conduta dos encarregados da segurança
pública, desvirtuou a atividade dos milagres da época, e impôs
constrangimentos, limites e fantasias aos próprios governos ditatoriais. Esta obra trata-se do segundo livro da coleção e segundo volume da série As Ilusões Armadas.
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