Durante os últimos trinta anos, o jornalista Elio Gaspari reuniu
documentos até então inéditos e fez uma exaustiva pesquisa sobre o
governo militar no Brasil. O resultado desse meticuloso trabalho gerou
um conjunto de quatro volumes que compõe a obra mais importante sobre a
história recente do país, e que acaba de ganhar uma edição revista e
ampliada, enriquecida com novas fotos e projeto gráfico de Victor
Burton. A obra é dividida em dois conjuntos: As ilusões armadas e O
sacerdote e o feiticeiro. Publicada originalmente em 2002, As ilusões
armadas reúne os livros A ditadura envergonhada e A ditadura
escancarada, e recebeu o prêmio de Ensaio, Crítica e História Literária
de 2003, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Nos primeiros
anos após o golpe de 1964, o governo militar ainda relutava em se
assumir como uma ditadura, daí o título A ditadura envergonhada. Mas com
a edição do AI-5, no final de 1968, que suspendeu direitos
constitucionais, ela se revela. Em A ditadura escancarada, são
reconstituídos os momentos mais tenebrosos do regime, como a prática da
tortura contra os opositores do regime e a violência empregada contra os
guerrilheiros do Araguaia, um dos últimos núcleos de resistência
política. Esta obra trata-se do quarto livro da coleção e segundo volume da série As Ilusões Armadas.
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sábado, 7 de fevereiro de 2015
Elio Gaspari - A Ditadura Derrotada
Geisel ( o Sacerdote) e Golbery ( o Feiticeiro) formaram uma parceria
sem precedentes na história do Brasil. Era uma amizade a serviço.
Começava e terminava no Planalto. Geisel era o presidente da República e
Golbery, seu chefe do Gabinete Civil. Não se frequentavam, não
almoçavam juntos. Contam-se nos dedos as ocasiões em que Golbery foi ao
palácio da Alvorada e aquelas em que Geisel o visitou na granja do Ipê,
onde morava. Os dois generais aproximaram-se durante o primeiro governo
da ditadura, quando Geisel, com 56 anos, chefiou o Gabinete Militar do
presidente Castello Branco e Golbery, com 52, fundou e dirigiu o Serviço
Nacional de Informações. Voltaram ao poder no dia 15 de março de 1974.
Tinham o propósito de desmontar a ditadura radicalizada desde 1968, com a
edição do Ato Institucional 5. Queriam restabelecer a racionalidade e a
ordem. Geisel recebeu uma ditadura triunfalista, feroz contra os
adversários e benevolente com os amigos. Decidiu administrá-la de
maneira que ela se acabasse. Não fez isso porque desejava substituí-la
por uma democracia. Assim como não acreditava na existência de uma
divindade na direção dos destinos do universo, não dava valor ao
sufrágio universal como forma de escolha de governantes. Queria mudar
porque tinha a convicção de que faltavam ao regime brasileiro estrutura e
força para se perpetuar. Em dois outros livros (A ditadura envergonhada
e A ditadura escancarada) procurei contar a história do consulado
militar desde a deposição do presidente João Goulart, em 1964, até a
caçada dos guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil, nas matas do
Araguaia, em 74. Neste, vão narradas as vidas de Geisel e Golbery, a
articulação que os levou ao Planalto, a formação do governo e seu
caminho até a eleição de 1.974, na qual a ampla e inesperada vitória da
oposição alterou o curso da ditadura. Esta obra trata-se do terceiro livro da coleção e primeiro volume da
série O Sacerdote e o Feiticeiro ( que dá seqüência aos livros de As
Ilusões Armadas).
Elio Gaspari - A Ditadura Escancarada
Escancarada, a ditadura firmou-se. A tortura foi o seu instrumento
extremo de coerção e extermínio, o último recurso da repressão política
que o AI-5 libertou das amarras da legalidade. A ditadura envergonhada
foi substituída por um regime a um só tempo anárquico nos quartéis e
violento nas prisões. Foram os Anos de Chumbo. Este livro trada do
período que vai de 1969, logo depois da edição do AI-5, ao extermínio da
guerrilha do Partido Comunista do Brasil, nas matas do Araguaia, em 74.
Foi o mais duro período da mais duradoura das ditaduras nacionais. Ao
mesmo tempo, foi a época das alegrias da Copa do Mundo de 1970, do
aparecimento da TV em cores, das inéditas taxas de crescimento econômico
e de um regime em pleno emprego. Foi o Milagre Brasileiro. O Milagre
Brasileiro e os Anos de Chumbo foram simultâneos. Ambos reais,
coexistiram negando-se. Quem acha que houve um, não acredita (ou não
gosta de admitir) que houve o outro. Nas páginas deste livro, estão os
dois. Se nelas há mais do chumbo que do milagre, isso se deve à
convicção do autor de que a tortura e a coerção política dominaram o
período. A tortura envenenou a conduta dos encarregados da segurança
pública, desvirtuou a atividade dos milagres da época, e impôs
constrangimentos, limites e fantasias aos próprios governos ditatoriais. Esta obra trata-se do segundo livro da coleção e segundo volume da série As Ilusões Armadas.
Elio Gaspari - A Ditadura Envergonhada
Em 1984, o jornalista Hélio Gaspari ganhou uma bolsa de três meses do
Wilson Center for International Scholars. Sua intenção era escrever um
ensaio cujo título já estava definido: “Geisel e Golbery, o Sacerdote e
Feiticeiro”. Em cerca de cem páginas, Gaspari pretendia explicar por que
entre 1974 e 1979 o ex-presidente e o chefe do seu gabinete Civil
desmontaram a ditadura militar, quando na década anterior, entre 1964 e
1967, haviam ajudado a construí-la. A convicção de que bastariam cem
páginas foi abandonada; dezoito anos depois, o que era um ensaio se
transformou em cinco livros. Em A Ditadura Envergonhada, o leitor vai
encontrar um minucioso relato do golpe de 1964, com seus lances de acaso
e improvisos, a luta pelo poder nos primeiros anos do governo militar, a
criação do SNI e os bastidores da elaboração dos primeiros atos
institucionais, até a edição do Ato Institucional nº5 , em dezembro de
1968, e a famosa aula de tortura de outubro de 679, dada por um tenente
no quartel da Vila Militar no Rio de Janeiro, quando a ditadura deixa de
se envergonhar de si própria. Esta obra trata-se do primeiro livro da coleção e primeiro volume da série As Ilusões Armadas.
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