Tomando como corpus o desenho animado Shrek, produção
norte-americana de 2001, Maíra Sueco Maegava Córdula estuda o papel da
entoação nas falas em duas línguas - o Português do Brasil e o Inglês
dos Estados Unidos. O estudo da entoação se baseia na verificação de que os sentidos dos
enunciados podem ser distintos utilizando-se as mesmas palavras,
bastando para isso apenas mudar o tom em que elas são proferidas. O
comentário: "Não foi o que o sujeito falou, mas como ele falou" ilustra a
ideia. A Linguística estuda esse "como", ou a entoação, por meio da
Prosódia. Dessa forma, a obra tem como fim analisar a variação melódica da fala
em línguas naturais e seus aspectos sintáticos, semânticos e
pragmáticos. A autora destaca que a entoação em línguas naturais, como o
Português Brasileiro, tem um papel relevante para a formação dos
sentidos dos enunciados, principalmente no que se refere à sua função
sintática. Uma das hipóteses centrais da pesquisa é a de que padrões
distintos de entoações podem expressar significações semelhantes em
diferentes línguas. A escolha de um desenho animado, cuja fala é artificial, facilitou a
pesquisa, na medida em que em um ambiente de fala natural, o pesquisador
não tem acesso a conhecimentos prévios entre os informantes. Além
disso, o objeto do estudo tornou possível a comparação linguística, já
que os dubladores, tanto na versão original quanto na dublada em outra
língua, só podem recorrer à voz como instrumento expressivo. A isso se
soma o fato de que em produções artísticas desse tipo são bem marcadas
suas funções emotiva e expressiva, pois têm como objetivo o
entretenimento associado à emoção e, dessa forma, os aspectos semânticos
e pragmáticos dos padrões de entoação podem ser identificados de forma
clara.
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