Esta obra monumental, composta por quatro volumes, é uma das mais
importantes obras publicadas no Brasil no século XX. O jornal Folha de
São Paulo, ao findar o século passado, reuniu vários especialistas para
escolher as cem melhores obras de não-ficção do século XX. A História da
literatura ocidental de Carpeaux alcançou o 18 lugar. É uma obra
fundamental da bibliografia literária e da cultura brasileira. Vários
estudiosos a ela se acercaram não apenas para conhecer a fundo o
percurso de homens, livros, movimentos literários, mas também para
compreender a história das idéias no mundo ocidental. Só como compêndio
da literatura universal já justificaria sua terceira edição, com
acréscimos e dados informativos que não compunham as outras edições. É
que a História da literatura ocidental é um dos livros para entender um
dos teóricos da civilização brasileira que foi o austro-brasileiro Otto
Maria Carpeaux. No primeiro volume de sua História da Literatura
Ocidental, Carpeaux parte da Antiguidade greco-latina, passa pelas
expressões literárias da Idade Média e analisa o Renascimento e a
Reforma. No segundo volume, o autor desta obra, que Carlos Drummond
chamou “livro-chave essencial: a cada página suscita um problema,
desvenda um significado, abre um caminho”, faz a exegese do Barroco e do
Classicismo no mundo ocidental. Aqui estão analisados a poesia, o
teatro, a epopéia e o romance picaresco, entre outros temas e autores,
como Cervantes, Góngora, Shakespeare e Molière. Ainda no segundo volume,
continua o estudo do neobarroco, o Classicismo racionalista, o
pré-romantismo, os enciclopedistas e o que chama de O Último Classicismo
(Classicismo Alemão, Alfieri, Chénier, Jane Austen). O terceiro tomo
refere-se à literatura do Romantismo até nossos dias. Um diversificado e
denso estudo sobre as causas sociais e estéticas do Romantismo. Os
grandes autores do período foram acuradamente estudados (um elenco
incomparável e uma hermenêutica rigorosa). Nele também está incluído o
nosso Romantismo com substancial contribuição para entendimento de
autores brasileiros como José de Alencar, Castro Alves, Álvares de
Azevedo e até mesmo o Machado de Assis da sua primeira fase, cunhada de
romântica. Ainda neste terceiro volume, estão o Realismo e o Naturalismo
e seu espírito de época. Balzac, Machado, Eça, Tolstói, Zola,
Dostoiévski, Melville, Baudelaire, e mais Aluísio Azevedo, Augusto dos
Anjos, Graça Aranha e Mário de Andrade, entre tantos autores, aqui são
estudados para expressar um período de grande transformação social com o
aparecimento do marxismo e das lutas sociais mais politizadas. O último
e quarto volume traz extensa análise sobre a atmosfera intelectual,
social e literária do fin du siècle e o surgimento do Simbolismo e
aquilo que o autor chama de “A época do equilíbrio europeu”. E, por fim,
envereda pelas vanguardas do século XX e faz esboço das tendências
contemporâneas. Carpeaux encerra assim sua obra monumental, grandiosa
não somente pela extensão e abrangência de autores e estilos de época,
mas também pela verticalidade com que analisa e aprofunda cada época,
autor e assunto. “Uma obra monumental”, classificou o escritor Herberto
Sales, seu primeiro editor. Elogiado por Antonio Candido, Carlos
Drummond de Andrade, Álvaro Lins, Aurélio Buarque de Holanda e inúmeros
outros intelectuais e escritores, a História da literatura ocidental, de
Otto Maria Carpeaux, é obra definitiva, enciclopédica e
multidisciplinar que deve fazer parte de toda biblioteca que leva este
nome.

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