No presente trabalho, o emprego será estudado sobretudo através
da contribuição de Abba P. Lerner (1903-1982), um economista que seguiu
os conceitos de Keynes, no que se refere ao nível de intervenção
governamental na economia necessário para um bom funcionamento desta.
Lerner aprofunda muito dos debates trazidos à tona por Keynes (1936). O
mundo que recentemente entrou em crise, por muito tempo teve como
diretriz econômica o uso intenso das ferramentas ortodoxas de condução
macroeconômica: baixo intervencionismo governamental, orçamento
equilibrado e política monetária direcionada para as metas
inflacionárias, como bem salientado por Petiffor (2008) e muitos outros.
Esse cenário implica dizer que, no geral, temos baixo gasto
governamental e taxas de juros mais elevadas do que em um cenário com
políticas (pós-)keynesianas. Em sentido totalmente oposto a esta visão
ortodoxa, Lerner apresenta um ferramental teórico para alcançar o nível
de Pleno Emprego, almejado, ao menos em tese, por todas as escolas de
pensamento econômico. Seu diferencial está na forma de alcançar tal
patamar de atividade econômica, ou seja, através dos Gastos Públicos e
de políticas monetárias corretas. Portanto, não só o Gasto Público deve
ser aumentado na visão de Lerner. A utilidade da taxa de juros também
muda. Não servirá apenas para manter estável o preço da moeda. Lerner
postula a relevância das Finanças Funcionais não somente para combater
crises, como muitos a aceitam, mas sim para ser uma política perene.
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