A autora analisa aqui dois romances históricos ambientados em
épocas e lugares diferentes para defender que as sensações vivenciadas
em regiões e sociedades diversas estão menos relacionadas à localidade
em si e mais ao que se passa no interior das pessoas, vivências cujas
raízes em comum transcendem as marcações geográficas. São analisados os romances Paradise, da escritora norte-americana Toni Morrison, lançado em 1997, e Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz,
também de 1997, da escritora brasileira Heloísa Maranhão. Paradise se
passa em uma cidade do interior do estado de Oklahoma, nos Estados
Unidos, e resgata a história dos negros locais, desde o fim da Guerra
Civil (1861 – 1865) até a época dos movimentos pelos direitos civis,
enquanto Rosa Maria é ambientado em uma casa em Minas Gerais, na qual uma escritora do século 20 convive com uma escrava do século 17. Para a autora, ambos os romances conseguem recriar as vivências
internas do passado. Um e outro elaboram espaços que revisam versões
oficiais das histórias nacionais enquanto formulam lares imaginários
inclusivos e habitáveis por meio de metáforas e cronotopos subvertidos.
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