O diário foi escrito durante a estadia de Benjamin em Moscou, no inverno
de 1926-1927, e registra os encontros com Asja Lacis, diretora de
teatro comunista, que Benjamin conhecera em 1924, em Capri. Consta que a
influência de Lacis sobre Benjamin o teria levado a aproximar-se do
marxismo. Em 1931, após o fim de seu casamento de treze anos com
Dora Pollak e o fracasso de sua relação com Asja Lacis, que havia sido a
causa do divórcio, Benjamin iniciou um diário “de 17 de agosto de 1931
até o dia da morte”, registrando na primeira página uma nota amarga:
“Este diário não promete ser muito longo”. No ano seguinte, Benjamin
chegou a escrever seu testamento, e tudo leva a crer que planejava
suicidar-se em seu quadragésimo aniversário (15 de julho). Foi nesse
período, depois de desistir do suicídio, que ele abandonou o texto da
Crônica Berlinense (Berliner Chronik) e iniciou a Infância Berlinense
por volta de 1900 (Berliner Kindheit um Neunzehnhundert).
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