O que pode ser pior do que crescer nos Estados
Unidos da recessão pós-1929? Ser pobre, de origem alemã, ter muitas
espinhas, um pai autoritário beirando a psicopatia, uma mãe passiva e
ignorante, nenhuma namorada e, pela frente, apenas a perspectiva de
servir de mão-de-obra barata em um mundo cada vez menos propício às
pessoas sensíveis e problemáticas. Esta é a história de Henry Chinaski, o
protagonista deste romance que é sem dúvida uma das obras mais
comoventes e mais lidas de Charles Bukowski (1920-1994). Verdadeiro romance de formação com toques autobiográficos, Misto-quente
(publicado originalmente em 1982) cativa o leitor pela sinceridade e
aparente simplicidade com que a história é contada. Estão presentes a
ânsia pela dignidade, a busca vã pela verdade e pela liberdade,
trabalhadas de tal forma que fazem deste livro um dos melhores romances
norte-americanos da segunda metade do século XX. Apesar de ser o quarto
romance dos seis que o autor escreveu e de ter sido lançado quando ele
já contava mais de sessenta anos, Misto-quente ilumina toda a obra de Bukowski. Pode-se dizer: quem não leu Misto-quente, não leu Bukowski.
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